Reflorestamento: o que você precisa saber.

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            Para que erros sejam evitados é importante lembrar que o termo reflorestamento se difere do termo florestamento, onde o reflorestamento é feito em áreas onde havia vegetação florestal e o florestamento em áreas nas quais não havia floresta. Há, também, em casos específicos, locais onde a formação florestal começa a ocorrer de forma natural, sendo estes chamados de áreas de resiliência.

O reflorestamento, também chamado de reposição florestal, consiste na reposição de vegetação de determinada área que anteriormente passou por processo de supressão da vegetação. O Brasil é o segundo país do mundo no ranking de cobertura vegetal, ficando depois apenas da Rússia, com uma área coberta de 8,5 milhões de Km². Ocorre que, no Brasil, devido à ocupação desordenada e às explorações inadequadas, a área florestal do país tem diminuído consideravelmente.

            O reflorestamento pode ser de dois tipos, a saber:

  • Homogêneo: Quando é utilizada somente uma espécie no plantio. Este tipo é utilizado para atender demandas por madeiras nobres ou produtos florestais para indústria (celulose e carvão mineral, por exemplo).
  • Heterogêneo: Quando é utilizado mais que uma espécie. Este tipo é utilizado para restauração de ecossistemas, compensações ambientais, proteção de mananciais, entre outros.

O reflorestamento pode ser classificado também de acordo com sua finalidade, assim temos as florestas para fins comerciais e florestas para fins ecológicos. As florestas para fins comerciais são planejadas com intuído de agregar valor monetário, seja por meio da venda de madeira ou pela possibilidade de atender a demanda por insumos como a celulose ou carvão mineral; já nas florestas para fins ecológicos são utilizadas espécies nativas com intuito de se reestabelecer um ecossistema.

            Uma das maiores vantagens ao reflorestamento é a prestação de serviços ambientais, dentre os quais: a fixação de carbono, a proteção de áreas de mananciais, aumento da biodiversidade, produção de dióxido de carbono, distribuição de renda (aumento de empregos direta e indiretamente), proteção da superfície do solo (diminuindo os riscos de erosão), diminuição da pressão sobre florestas nativas, entre outros.  Em diversos locais do mundo tem-se criado fundos de investimentos que aplicam recursos financeiros em projetos florestais, visando não só o retorno monetário, mas também a proteção do meio ambiente. Na atualidade os serviços ambientais mais comercializados têm sido relativos à preservação e conservação, existindo, ainda, uma expectativa mundial pela comercialização de emissões de carbono.

            Um ponto interessante do reflorestamento é sua dimensão econômica. Em diversos países a atividade madeireira e a cadeia produtiva a ela associada são foco de vários investimentos e transações comerciais com elevado valor.  As florestas, muito mais que uma matéria prima, são investimentos de alta rentabilidade que alinham às vantagens econômicas à preservação do meio ambiente. 

            O Brasil, além de possuir a maior biodiversidade do mundo, possui características climáticas que favorecem o desenvolvimento de espécies exóticas e também desenvolveu tecnologia avançada para exploração de florestas.  Estes elementos conferem ao país grandes vantagens comparativas para atividades florestais. O reflorestamento no Brasil ocupa cerca de 6 milhões de hectares. A maior parte de áreas reflorestadas começaram a partir de 1970, pois nesta década houve inúmeros incentivos do governo para iniciativas de reflorestamento em larga escala. Um dos incentivos mais relevantes da década de 70 foi o Fiset florestal que teve como resultado a expansão de área florestada em 6,2 milhões de hectares, com média anual de plantio de 312,6 mil hectares, segundo o extinto IBDF (Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal).

Atualmente a maioria das áreas reflorestadas mo Brasil possuem as espécies de pinus e eucalipto (cerca de 80%). As madeiras nobres, apesar da alta demanda, ainda são carenets de esforços e maiores investimentos para a implementação em larga escala.

Além de gerar receita importantes na pauta de exportações, o reflorestamento contribui para o desenvolvimento social, no que tange a geração de receitas e distribuição de renda. Além disso possui os inegáveis ganhos ambientais. Neste contexto a importância do setor florestal ultrapassa os benefícios monetários, contribuindo também na qualidade de vida. 

            Como forma de estimular o reflorestamento, no ano de 2000, o governo federal criou o Programa Nacional de Florestas (PNF), instituído pelo Decreto nº 3. 420. Tal programa tem como meta a implementação de áreas florestadas, aumentando de 170.000 hectares para 630.000 hectares anuais, a partir do ano de 2004.  Os objetivos do PNF são:

  • Estimular o uso sustentável de florestas nativas e plantadas;
  • Fomentar as atividades de reflorestamento, principalmente em pequenas propriedades rurais;
  • Apoiar as iniciativas econômicas e sociais das populações que vivem em florestas;
  • Reprimir desmatamentos ilegais e a extração predatória de produtos e subprodutos florestais, conter queimadas acidentais e prevenir incêndios;
  • Promover o uso sustentável das florestas de produção;
  • Ampliar os mercados interno e externo de produtos florestais;
  • Valorizar os aspectos ambientais, sociais e econômicos dos serviços e dos benefícios proporcionados pelas florestas públicas e privados;
  • Estimular a proteção da biodiversidade e dos ecossistemas florestais.

             O Ministério do Meio Ambiente (MMA) constatou que no ano de 2006 as áreas de reflorestamento e florestas nativas no Brasil correspondiam a cerca de 5,4 milhões de hectares, dos quais 60% são do gênero Eucalyptus, 36% do gênero Pinus e 4% de outras espécies. Constatou-se, ainda, que o segmento de base florestal representou no ano cerca de 4,5% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional, representando 17,8% das exportações do agronegócio e 7,4% do total das exportações brasileiras. Já no ano de 2004 este comércio totalizou U$S 1,7 bilhão em exportações para a balança comercial do país. Tais dados corroboram que os investimentos florestais possuem excelente retorno financeiro.

              Apesar dos esforços os investimentos florestais ainda são escassos frente as demandas previstas de madeira, ou seja, a demanda tende a ser maior que a oferta nos próximos anos. É por isso que a RADIX te dá a oportunidade de participar de um investimento coletivo em florestas de Mogno Africano. Cadastre-se e seja informado de nossa próxima emissão de títulos florestais.

Referências consultadas:

BRASIL. Decreto nº 3420, de 20 de abril de 2000. Dispõe sobre a criação do Programa Nacional de Florestas – PNF, e dá outras providências. Brasília-DF.

BRASIL. Ministério do Meio Ambiente e colaboradores. Plano Nacional de Silvicultura com Espécies Nativas e Sistemas Agroflorestais (PENSAF). 2007.

BACHA, Carlos José Caetano; BARROS, Alexandre Lahoz Mendonça Barros. Reflorestamento no Brasil: evolução recente e perspectiva para o futuro. Scientia Florestalis, n.66, p.191-203, 2004.

GOMES NETO, João Ferreira; LÉDA, Renato Leone Miranda. Mercado florestal brasileiro: uma análise sobre as políticas públicas e perspectivas de cenário econômico. Cadernos de Ciências Sociais Aplicadas, Vitória da Conquista-ba, v. 6, n. 5, p.265-278, abr. 2009.

JUVENAL, Thais Linhares; MATTOS, René Luiz Grion. O setor florestal no Brasil e a importância do reflorestamento. BNDES Setorial, Rio de Janeiro, n. 16, p. [3]-29, set. 2002.

Sobre Letícia de Alcântara

Letícia de Alcântara- Gestora Ambiental- Mestranda em Meio Ambiente e Recursos hídricos

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