Quem planta Mogno Africano?

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O Mogno Africano é uma espécie que tem chamado à atenção de diversos produtores e investidores no mundo. Tal fato está relacionado principalmente à qualidade e a beleza da madeira obtida com a espécie, assim como seu já reconhecido valor de mercado.  

Outros fatores influenciam na difusão da espécie, dentre os quais se destacam: sua adaptabilidade a diversas condições climáticas, seu tempo de crescimento relativamente rápido e a expectativa de escassez de madeira no mercado futuro. Atualmente, os maiores fornecedores desta matéria prima são a África e a Austrália.

            Na África, país de origem da espécie, a ocorrência original se dá principalmente na costa ocidental do país, principalmente na Costa do Marfim, em Gana, Togo, Benim, Nigéria e Sul de Camarões. No país, estudos mostram que as árvores podem atingir até 60 metros de comprimento e 2 metros de diâmetro, com tronco retilíneo e ramificações acima de 30 metros. Atualmente, além da comercialização da madeira, a África é a maior fornecedora de sementes de Mogno Africano para o mundo.

            Na Austrália a espécie começou a ser introduzida na arborização urbana (Parques, calçadas e praças) em meados da década de 30.  Em 1950 começaram a surgir plantios homogêneos de mogno e a partir de 1970 houve incentivos do governo e o plantio em larga escala, principalmente em áreas impactadas pela mineração. O país hoje é um dos maiores fornecedores de madeira de mogno. Em 2012, a estimativa de florestas de mogno era de mais de 100 mil hectares plantados. Conforme exposto por African Mahogany (Austrália), uma empresa australiana que trabalha com investimentos e tecnologias florestais, os principais exportadores deste insumo na Austrália está nas proximidades da Ásia e da Índia.

Em meados de 1880, comerciantes de madeira da Inglaterra e demais países europeus começaram a buscar outras fontes madeireiras nas colônias africanas. Estes continuam sendo os maiores consumidores desta matéria prima.

            O cultivo da espécie no Brasil tem-se mostrado uma boa alternativa para o suprimento de madeira nobre no país. O Mogno Africano possui alta adaptabilidade no país e tem mostrado maior resistência a broca que ameaça o mogno nativo. Sua madeira atende a diversos usos que englobam a fabricação de pisos, móveis, portas, janelas, laminados, instrumentos musicais, molduras, e etc; trazendo rentabilidade ao produtor e diminuindo a pressão sobre as florestas nativas.

            O mogno vem recebendo denominações como “Ouro Verde” ou “Aposentadoria Rural”  e cada vez mais estudos atestam a viabilidade do investimento. Além disso, pesquisas sobre tecnologias de manejo vêm sendo estudadas em universidades brasileiras renomadas, o que pode contribuir de forma significativa para melhores retornos monetários.

De acordo com a Associação Brasileira de Produtores de Mogno Africano, já são aproximadamente 10 mil hectares plantados com a espécie em diferentes estados do país. Porém, a maioria dos plantios ainda é jovem, apresentando um crescimento inicial médio, nos primeiros 12 meses de vida, de 3,9 cm de DAP e 3,0 m em altura.

Outra forma de difusão da espécie no Brasil, além do uso comercial, é a utilização também em projetos de recuperação de áreas degradadas (RAD) assim como em sistemas agroflorestais (SAFs).  Dentre os estados brasileiros que mais cultivam Mogno Africano estão: Minas Gerais (possui grande extensão e diversas áreas disponíveis), Piauí (possui excelente topografia, diminuindo custos) e Pará (onde surgiram os primeiros plantios há 42 anos). Em Minas Gerais concentram-se as maiores florestas plantadas com mogno africano, mas as mesmas também podem ser encontradas em outros estados.

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Referências consultadas:

ALBUQUERQUE, C.P. et al. Levantamento bibliográfico sobre o Mogno Africano. Consultoria Florestal. FCA. UNESP. P.C. 67, REV.:00, p. 1 – 24, 2011.

AMA. African Mahogany. African Mahogany. 2017. Disponível em: <http://africanmahoganyaustralia.com.au>. Acesso em: 21 jun. 2017.

 FLORESTAL, Painel. Madeira nobre_Mogno Africano_ Austrália. 2017. Disponível em: <http://www.painelflorestal.com.br/noticias/madeira-nobre/voce-sabe-quando-o-mogno-africano-chegou-na-australia>. Acesso em: 20 jun. 2017.

NATIVIDADE, G. S. Análise do cenário da produção de mogno africano (khaya ivorensi) no cerrado. 2016. 45 f. Monografia (Especialização) – Curso de Gestão de Agronegócios, Agronomia e Medicina Veterinária, Universidade de Brasília, Brasília, 2016.

RIBEIRO, A. FERRAZ FILHO, A. C. SCOLFORO, J. R. S. O Cultivo do Mogno Africano (Khaya spp.) e o Crescimento da Atividade no Brasil. Floresta e Ambiente, [S.l.], v. 24, p.1-12, 2017. FapUNIFESP (SciELO). http://dx.doi.org/10.1590/2179-8087.076814.

SILVA, J. G. M. da et al. Qualidade da madeira de mogno africano para a produção de serrados. Scientia Forestalis, [s.l.], v. 44, n. 109, p.181-190, 1 mar. 2016. Instituto de Pesquisa e Estudos Florestais (IPEF). http://dx.doi.org/10.18671/scifor.v44n109.18.

Sobre Letícia de Alcântara

Letícia de Alcântara- Gestora Ambiental- Mestranda em Meio Ambiente e Recursos hídricos

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