Plantações consorciadas com Mogno Africano

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Os chamados sistemas agroflorestais (SAFs) são plantações consorciadas de culturas agrícolas com espécies florestais. Os SAFs podem ser utilizados para restaurar florestas, recuperar áreas degradadas e também para agregar valor em investimentos de longo prazo.

A intensificação da atividade agrícola, principalmente no que se refere à monocultura (somente uma espécie plantada), acarreta perda na diversidade de espécies, a maior necessidade de uso de produtos fitossanitários (agrotóxicos) e o maior controle preventivo de pragas e doenças.

Na literatura os SAFs possuem algumas classificações, sendo a classificação mais comum, a seguinte:

  1. Agrossilviculturais: Combinação entre espécies arbóreas, arbustivas ou palmeiras combinadas com espécies agrícolas;
  2. Silvipastoris: Combinação entre espécies arbóreas, arbustivas ou palmeiras com espécies forrageiras e animais;
  3. Agrossilvipastoris: Combinação da atividade pecuária com sistemas agrossilviculturais;

A principal vantagem dos SAFs está relacionada com a prestação de serviços ambientais, os quais são chamados também de ecossistêmicos. Estes serviços estão baseados nos serviços que o meio ambiente pode prestar ao ser humano, seja ele direto ou indireto, como por exemplo: a oferta de alimentos (direto) ou a melhora da qualidade da água (indireto).

O SAFs possuem um papel primordial no desenvolvimento da agricultura de subsistência. A ONU (Organização das Nações Unidas) já classificou os SAFs como ferramenta de desenvolvimento. Isso ocorre porquê SAFs geram benefícios agronômicos, econômicos e ecológicos, garantindo a sustentabilidade ambiental. Mas é importante ressaltar que antes da instauração de um sistema como este deve ser realizada uma análise custo benefício, para que seja aproveitada da melhor forma a área e suas potencialidades agrícolas.

            O Mogno Africano, além de ser muito utilizada no plantio comercial (por conta do seu mercado reconhecido), é também muito utilizado em RAD (recuperação de áreas degradadas) e em SAFs. Dentre as espécies mais utilizadas consorciadas com a espécie estão: o café, soja, milho, macaxeira (mandioca mansa) e espécies frutíferas (manga, maracujá e etc). Além destas, lavouras experimentais com espécies de palmito e açai vem sendo feitas Em termos gerais não é recomendado o plantio de Mogno Africano com outras espécies arbóreas como o pinus e eucalipto, tanto por questões florestais quanto por questões logísticas.

                Como a cultura de café consorciada com Mogno é a mais comum, vamos falar um pouco mais deste consorciamento, para que você entenda em termos práticos como funciona. Um aspecto muito vantajoso deste tipo de SAF é que o mogno tem raízes profundas e com isso absorve água e nutrientes, fazendo que os adubos e fertilizantes sejam melhores aproveitados pelas espécies plantadas. Além disso, há um aumento significativo no teor de matéria orgânica do solo (devido às folhas e restos culturais do mogno tendo-se maior ciclagem de nutrientes).

            É recomendado que a colheita do café seja feita de forma normal até que o mogno  complete sua idade de corte (em torno de 18 anos), pois para o corte do mogno será necessário arrancar algumas ruas do café para saída da madeira. Em um estudo detalhado sobre a rentabilidade de tal consorciamento, indicou que de 100% do lucro, 83,5% será pela madeira e 16,5% pelo café. 

            Mas porque estamos falando deste assunto aqui na Radix?

            Porque esta pode ser uma opção que poderá aumentar os lucros de seu investimento, e também porque é interessante que você conheça a adaptabilidade do Mogno Africano com outras espécies. Futuramente, podemos estudar a viabilidade de um SAF na Radix, e novos investimentos poderão ser feitos, mas fique tranquilo, avisaremos você!

 

Referências consultadas:

FALESI, Ítalo Claudio; BAENA, Antonio  Ronaldo  Camacho. Mogno Africano (khaya ivorensi) em sistema silvipastoril com leguminosa e revestimento natural. 4. ed. Belém: Embrapa Amazônia, 1999. 52 p.

 MORAES, Luiz Fernando Duarte de; AMÂNCIO, Cristhiane Oliveira da Graça; REZENDE, Alexander Silva. Sistemas agroflorestais para o uso sustentável do solo: Considerações agroecológicas e socioeconômicas. Seropédica- RJ: Embrapa, 2011. 32 p.

NEGÓCIOS, Revista Campo &. Consorciação com café – Sombra e água fresca garantidas. 2015. Disponível em: <http://www.revistacampoenegocios.com.br/consorciacao-com-cafe-sombra-e-agua-fresca-garantidas/>. Acesso em: 19 jul. 2017.

PARQUE FLORESTAL, Mogno Africano. Plantio de Mogno Africano consorciado com outras culturas. 2014. Disponível em: <http://www.parqueflorestal.com.br/tag/plantio-consorciado/>. Acesso em: 18 jul. 2017.

Sobre Letícia de Alcântara

Letícia de Alcântara- Gestora Ambiental- Mestranda em Meio Ambiente e Recursos hídricos

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