O processo de certificação da madeira

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A certificação da madeira é um processo voluntário, onde empresas se submetem para comprovar que seus produtos e sua plantação seguem padrões pré-estabelecidos de qualidade e sustentabilidade.  Tal processo se baseia nos três pilares da sustentabilidade: ambientalmente equilibrado, socialmente justo e economicamente viável. Podem se submeter à certificação empresas que fazem o manejo, produção, distribuição e venda de um produto de origem florestal.

Além dos benefícios ambientais da certificação e do controle florestal, a certificação é também uma garantia da origem da madeira que pode ser usada para orientar o comprador, o atacadista ou o varejista a escolher um produto de qualidade e com valor agregado. Tendo em vista que o perfil do consumidor mudou com a difusão da temática ambiental, o consumidor consciente opta por produtos que não degradam o meio ambiente e contribuem para o desenvolvimento social e econômico. 

A certificação ambiental pode ser utilizada como um efetivo instrumento para diminuição dos efeitos negativos da exploração ilegal de madeira nativa, dada às vantagens do mercado oferecidas pelos produtos certificados. Dentre as principais vantagens da certificação, estão:

  • Credibilidade no mercado, alta relevância em processos de auditoria;
  • Vantagem competitiva;
  • Aumento da transparência o controle florestal, visto que exige um manejo sustentável;
  • Fortalecimento das parcerias entre empresas, fornecedores e clientes;

Os sistemas de certificação mais difundidos no mundo são o Forest Stewardship Council International (FSC) e Program for the Endorsemente of Forest Certification Schemes (PEFC).

No Brasil, os primeiros processos que versavam sobre a certificação de madeira ocorreram em 1994. Além da certificação FSC ,existe desde 2002 o Programa Brasileiro de Certificação Florestal (CERFLOR), reconhecido internacionalmente pela sigla PEFC.

As principais certificadoras que atuam no Brasil, ou seja, empresas que podem emitir a certificação são:

O FSC é uma organização não governamental, independente e sem fins lucrativos, criada para promover a sustentabilidade das florestas no mundo. O FSC possui uma representação nacional no Brasil, o FSC Brasil- Conselho Brasileiro de Manejo Florestal, tendo como objetivo primordial difundir e facilitar o bom manejo das florestas no país através de princípios e critérios estabelecidos. Conforme o FSC, os padrões brasileiros para manejo florestal, são os seguintes:

– Padrão harmonização das plantações: Tal padrão é derivado de padrões internos das certificadoras brasileiras, é utilizado para avaliar o manejo das plantações florestal, seguindo os princípios de sustentabilidade;

– Padrão terra firme: Este padrão foi elaborado para a certificação do manejo de floresta amazônica de terra firme em território nacional, conforme os procedimentos recomendados;

– Padrão SLIMF: Tal padrão é usado para avaliação do manejo florestal em pequena escala e/ou baixa intensidade, sendo assim, é usado principalmente para pequenos produtores ou para produções comunitárias, vigente desde 2013.

O FSC produz mensalmente um relatório, o qual é intitulado “Fatos e Números”, por meio do qual é possível ver o aumento ou a diminuição das áreas certificadas no Brasil mês a mês.

Já o CERFLOR é o “Programa Brasileiro de Certificação Florestal”. Foi desenvolvido dentro da estrutura do Sistema Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Sinmetro). Este Sistema possui como órgão normativo o Conselho Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial, (Conmetro), e como órgão executivo o Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial, Inmetro. O CERFLOR tem como objetivo principal sensibilizar empresários do setor florestal da importância da certificação. Além disso, busca fomentar e criar mecanismos para que pequenos e médios produtores florestais possam se certificar e disseminar a certificação.

Ambas as certificações se baseiam nos seguintes pilares da sustentabilidade:

– Ecologicamente correto: Utilizar técnicas mais próximas possíveis do ciclo natural da floresta, que causem o mínimo impacto ambiente, permitindo processos como renovação e permanência, bem como a manutenção da biodiversidade abrigada.

– Socialmente justo: A propriedade de uma área florestal e toda a sua atividade precisa ser legalizada, o que significa pagar todos os tributos e respeitar também todos os direitos trabalhistas, inclusive no item segurança do trabalho. Além disso, o processo de certificação FSC é transparente, o que permite sua fiscalização por qualquer entidade ou indivíduo da sociedade civil.


– Economicamente viável
: As técnicas de manejo florestal requeridas pela certificação aumentam a produtividade da floresta, garantem a durabilidade dos investimentos, e agregam valor ao produto.

            Por fim, é importante dizer que seu investimento na Radix já é considerado “madeira legal”, pois já seguimos todos os requisitos previstos em lei. E claro, vamos trabalhar para certificá-la no momento adequado e agregar ainda mais valor a nosso negócio. Por estes e outros motivos é que nosso investimento alinha rentabilidade e sustentabilidade. 

 

Referências consultadas:

FSC, Floresta Para Todos Para Sempre. Madeira controlada: Os mais elevados padrões. 2017. Disponível em: <https://br.fsc.org/pt-br/certificao/tipos-de-certificados/madeira-controlada>. Acesso em: 21 jul. 2017.

SNIF, Sistema Nacional de Informações Florestais. Produção florestal: Certificação florestal. 2017. Disponível em: <http://www.florestal.gov.br/snif/producao-florestal/certificacao-florestal>. Acesso em: 19 jul. 2017.

SPATHELF, Peter; MATTOS, Patricia Povoa de; BOTOSSO, Paulo César. Certificação florestal no Brasil: uma ferramenta eficaz para a conservação das florestas naturais?. Floresta, Curitiba, v. 3, n. 34, p.373-379, dez. 2004.

WWF, Brasil. O que é certificação florestal? 2017. Disponível em: <http://www.wwf.org.br/natureza_brasileira/questoes_ambientais/certificacao_florestal/>. Acesso em: 20 jul. 2017.

 

Sobre Letícia de Alcântara

Letícia de Alcântara- Gestora Ambiental- Mestranda em Meio Ambiente e Recursos hídricos

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