As diferentes espécies de madeira nobre: saiba mais.

Tempo de leitura: 5 minutos

Madeiras nobres, ou madeiras de lei (termo difundido no Brasil) são madeiras que possuem características tecnológicas, beleza e resistência ao ataque de insetos, cupins e fungos. Devido ao crescimento lento das espécies consideradas nobres, a madeira é mais dura (apresentam menor espaço entre as células) fato que lhes conferem também maior durabilidade. O mercado de madeiras deste gênero está sempre em alta devido principalmente a exploração inadequada feita no período pós Revolução Industrial, logo, há perspectivas de aumento da demanda e não há produto suficiente para atendê-la.

O investimento florestal chama atenção não só em termos de lucratividade, mas também em relação a questões sociais e ambientais, tais como: distribuição de riquezas, alternativa a exploração inadequada e clandestina, redução do aquecimento global, preservação de florestas nativas, prestação de serviços ecossistêmicos (como fornecimento de água de qualidade e créditos de carbono), entre outros.

O cultivo de madeiras nobres é considerado um investimento promissor, pois conforme exposto acima há demanda por este tipo de produto, tanto mercado nacional quanto no mercado internacional. O Brasil possui grande potencial neste mercado, visto a diversidade de solos no país e suas diversas condições climáticas. Dentre os principais tipos de madeiras nobres cultivadas no Brasil estão: Teca, Guanandi e Mogno (nativo e africano).

A Teca (Tectona grandis) é uma árvore de grande porte nativa de regiões da Ásia, possui boa adaptabilidade a condições adversas, e ,no Brasil, está entre as espécies nobres mais cultivadas. É uma espécie cultivada desde o século 18 e sua madeira é muito utilizada na construção naval. É apreciada pela qualidade de sua madeira, a qual possui coloração marrom brilhante e também resiste bem a variação de temperatura. Não há registros de pragas que possam comprometer o plantio da espécie. A madeira do primeiro corte é considerada não comercial, porém, a mesma pode ser utilizada no meio rural. É um investimento em longo prazo (desvantagem), levando cerca de 25 anos para que esteja no ponto de ideal de corte.

Já o Guanandi (Calophyllum brasiliensis) é uma espécie nativa do Brasil, sendo considerada a primeira madeira de lei do país. A altura da árvore varia de 20 a 30 metros, sua madeira é utilizada na fabricação de móveis de luxo, construção civil e naval. Como vantagem a espécie possui boa adaptabilidade, visto que é uma espécie nativa, e a mesma se adapta aos mais variados tipos de solos, desde os que possuem drenagem deficiente aos inundáveis e brejosos. Porém, é também considerado um investimento de longo prazo, que gira em torno de 21 anos. No primeiro corte não é possível utilizar a madeira para fins nobres, sendo comum utiliza-la como lenha.

O Mogno Africano (khaya ivorensis, khaya senegalensis, khaya antotheca, Khaya madagascariensis, Khaya nyasica e khaya grandifoliola) é uma espécie nativa da África, possui boa adaptação no Brasil, sua madeira é reconhecida nacional e internacionalmente, possui características tecnológicas e beleza (cor avermelhada, devido a presença de antocianina), sendo utilizada na construção naval e civil, na fabricação de móveis de luxo, instrumentos musicais, pisos e revestimentos, entre outros. Outro motivo para difusão da espécie no país é sua resistência à praga Hypsiphyla grandella, conhecida como broca meliácea, sendo que o mogno nativo (Swietenia macrophylla) é extremamente frágil a essa doença, fato o qual culminou diversas plantações da espécie. A grande vantagem do plantio de Mogno Africano, além de seu reconhecimento no mercado, é que o mesmo é considerado um investimento de médio prazo, haja vista que a partir do 1º corte a madeira já pode ser utilizada para fins comerciais, diferentemente das espécies apresentadas acima. Além disso o desenvolvimento da espécie se dá em ciclos de 18 anos.

Há ainda outras espécies nobres nativas ou exóticas cultivadas no Brasil, como o Pau Brasil, o Cedro Australiano, Acácia, Peroba Rosa, Jequitibá e outras. Aqui optou-se por apresentar as espécies que possuem manejo relativamente simples, boa cotação no mercado atual e seguem os parâmetros legais de comercialização.

Investir em madeira nobre é considerado por especialistas como um excelente negócio, haja vista a demanda, o reconhecimento, o valor comercial, e também o risco aceitável do mesmo. Há pesquisas que mostram que a partir do 3º ano de plantio de uma espécie nobre, a área já “vale” quatro vezes mais que antes da plantação devido a raridade (solo+ floresta nobre). Além disso há uma sobrecarga nas plantações de madeiras “comuns” como o Eucalipto, o que pode influenciar na queda dos preços da mesma.

Por fim é importante lembrar que para que o cultivo de madeiras nobres traga o retorno financeiro esperado é importante que seja realizado o planejamento e manejo adequado. Desta forma recomenda-se respeitar as características da espécie a ser plantada, bem como as condições ambientais. Os investimentos florestais não são livres de riscos, mas possuem uma relação risco-retorno atrativa. Conheça mais sobre o Crowdfunding Florestal da Radix clicando aqui. 

Referências consultadas

ANGELI, A.; STAPE, J. L. Tectona grandis (Teca). 2003. Elaborado por Departamento de Ciências Florestais – ESALQ/USP. Disponível em: <http://www.ipef.br/identificacao/tectona.grandis.asp>. Acesso em: 15 maio 2017.

ANGELI, A.; BARRICHELO, L. E. G.; MÜLLER, P. H. Calophyllum brasiliense (Guanandi). 2006. Disponível em: <http://www.ipef.br/identificacao/calophyllum.brasiliense.asp>. Acesso em: 14 maio 2017.

IBF, Instituto Brasileiro de Florestas. Mogno Africano Khaya ivorensis, senegalensis e anthoteca. Londrina: IBF, 200*. 28 slides, color.

Sobre Letícia de Alcântara

Letícia de Alcântara- Gestora Ambiental- Mestranda em Meio Ambiente e Recursos hídricos

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *