Inventário florestal

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            O inventário florestal é um procedimento no qual se obtém informações quantitativas e qualitativas da atividade florestal, e também da área onde a mesma está se desenvolvendo, por meio de técnicas estatísticas de amostragem. Um fato curioso sobre o assunto é que os primeiros inventários feitos foram após guerras, pois estes instrumentos auxiliavam na reconstituição dos recursos devastados por tais eventos catastóficos. A importância deste procedimento vem da necessidade de dados confiáveis para a gestão da floresta. Um inventário completo traz as seguintes informações:

  • Estimativa da área;
  • Descrição topográfica;
  • Mapeamento da propriedade;
  • Descrição dos acessos;
  • Facilidades de transporte da madeira;
  • Estimativa de quantidade e qualidade dos recursos florestais; e
  • Estimativa do crescimento.

Dessa forma, o inventário caracteriza a floresta e seus componentes. Existem diversos tipos de inventário florestal, variando, principalmente, em função do objetivo do produtor, ou seja, quais informações são mais relevantes para ele e vão contribuir para o sucesso de sua floresta. As variações deste procedimento podem ser de acordo com a abordagem, e também conforme o detalhamento dos fatores analisados. Dentre os principais tipos, estão:

  • Inventário Florestal Convencional: O qual identifica o volume da madeira estocada;
  • Inventário Florestal Contínuo: Verifica as mudanças ocorridas na floresta;
  • Inventário Florestal de Sobrevivência: Verifica o percentual de falhas e sobrevivência das mudas;
  • Inventário Florestal Pré Corte: Verifica o volume de madeira que virá a ser cortada;
  • Inventário Florestal para Planos de Manejo: Verifica as espécies por classe, tais como o diâmetro, espécie e família, e auxilia na elaboração das estratégias de manejo;

Os objetivos do inventário são estabelecidos conforme o uso da área, que pode ser para recreação, reserva florestal, manutenção da vida silvestre, reflorestamento comercial, e etc.

Para realização do Inventário é necessário a contratação de profissionais capacitados, principalmente pelo fato de se evitar a supervalorização ou a subvalorização dos fatores analisados. As fontes de informação para realização do inventário são diversas, dentre as quais: dados cartográficos, dados provenientes de sensoriamento remoto (fotografia aérea, imagens de satélite), medições e observações de campo, entre outras. De maneira geral, utiliza-se uma combinação de informações provenientes de fontes diversas.

O inventário florestal é uma tarefa complexa e a etapa inicial, que consiste no planejamento, deve ser feita de forma eficaz, visando três aspectos primordiais: exatidão, custo e tempo de execução. Estes aspectos garantem o sucesso do trabalho como um todo. Sendo assim, antes de começar o trabalho, o profissional responsável deve responder as seguintes perguntas: – Qual o objetivo deste inventário? – Qual informação se faz necessária? e, – Quem vai utilizar os resultados?

Antes de começarmos a falar sobre a execução de um inventário é importante relembrar conceitos de estatística, para que você não fique perdido ou ache tudo muito complicado. Então vamos lá: o primeiro conceito é o de censo, que significa a medição de todos os indivíduos, isso implica que não haverá erro amostral, já que não será feito estimativas; o segundo é amostragem, que significa a medição de uma amostra dos indivíduos (parcelas), fazendo com que esteja sujeito a erro amostral, pois somente uma amostra (que significa uma parcela dos indivíduos) será analisada.

Agora, vamos falar das etapas de um inventário florestal:

  • Planejamento: Etapa onde é definido o objetivo do inventário, conforme já mencionado acima. Nesta etapa são levantadas as informações preliminares, como: mapas, localização, tamanho da área e características gerais da floresta. Nesta etapa é definida a equipe de trabalho, instrumentos, tempo de execução e equipamentos que serão utilizados em todas as fases (GPS, fita métrica, fita dendrométrica, suta, paquímetro, trena, EPIs (equipamento de proteção individual) e etc..), além do suporte logístico (como a equipe chegará à floresta e como se guiará nela);
  • Definição estatística: Etapa onde é definido a estatística que será utilizada, se será por censo ou por amostragem, e qual programa será utilizado para processamento dos dados. Caso seja escolhido o método de amostragem, é definido seu tipo e seu tamanho amostral. Para isso existem diversas metodologias para o chamado “delineamento amostral”, dentre as quais: amostragem casual simples, amostragem casual estratificada, amostragem sistemática em um estágio, amostragem sistemática em dois estágios e amostragem em conglomerados;
  • Lançamento e marcação das parcelas: Esta etapa é determinada pela fase dois, que é o tipo de amostragem escolhida;
  • Coleta: Etapa onde é feita a coleta dos dados, a qual varia conforme o objetivo e tem a necessidade de utilização de equipamentos específicos. Os dados primordiais para esta fase são o DAP (diâmetro a altura do peito) e o CAP (circunferência a altura do peito);
  • Processamento: Após a coleta dos dados a campo, a fase subsequente é o processamento do inventário, onde as informações coletadas a campo são processadas e o objetivo do inventário é atingido.Assim, o documento final é elaborado e entregue ao dono da floresta. 

Além dos inventários feitos para atender uma demanda individual, existem os inventários estaduais e nacionais. O “Inventário Florestal Nacional do Brasil (IFN- BR)” traz informações sobre as florestas presentes no país, o último IFN completo e publicado é da década de 70, e um novo vem sendo elaborado, oito estados já foram inventariados e cinco estão em fase de execução. A obrigatoriedade de o país ter um inventário vem da Lei nº 12.651 de 2012.

Como aqui na Radix queremos que você conheça seu investimento e também o cuidado que temos com ele, cabe falar um pouco mais sobre os dados coletados em campo, dessa forma, você fica por dentro das atividades que são feitas para o melhoramento da sua quota da floresta. Os dados mais frequentes obtidos no campo são: a altura: a altura medida é a altura comercial, que vai da base da árvore até sua primeira bifurcação relevante, isso quer dizer que não é qualquer galho que interfere na altura final, esta medição é feita de forma simples, por meio de qualquer instrumento trigonométrico; o diâmetro: o diâmetro (que significa o comprimento que passa por uma área circular) é medido a 1,30 m do solo, que é definido como DAP, este valor pode ser obtido por meio de uma fita diamétrica; a distância: geralmente se utiliza a metodologia definida como Vizinho Mais Próximo (VMP) a qual considera as distancias entre uma árvore pode ser empregada a metodologia do Vizinho Mais Próximo (VMP), que consiste em considerar as distâncias das árvores em pontos pré determinados e aplica-se os processos de mensuração e identificação a aquelas que estão próximas a ela; e a sanidade aparente: que  diz respeito ao aspecto externo da árvore, neste ponto é avaliado a qualidade do fuste, se ele tem ou não presença de insetos, apodrecimento, partes ocas ou deformações.

O inventário florestal é um processo muito importante para controle e planejamento da floresta, e aqui está mais uma vantagem do investimento florestal oferecido pela Radix: nós cuidamos disso para o seu investimento.           

Referências consultadas:

MMA, Ministério do Meio Ambiente. O que é o Inventário Florestal Nacional. 2017. Disponível em: <http://www.florestal.gov.br/inventario-florestal-nacional>. Acesso em: 16 jul. 2017.

 MATA NATIVA. O que é um inventário florestal? [20**]. Disponível em: <http://www.matanativa.com.br/blog/o-que-e-inventario-florestal/>. Acesso em: 10 jul. 2017.

MATA NATIVA. Como fazer um inventário florestal? [20**]. Disponível em: <http://www.matanativa.com.br/blog/como-fazer-um-inventario-florestal/>. Acesso em: 10 jul. 2017.

MOREIRA, Andréa Bittencourt; ARIKAWA, Eimi; CASTRO, Tito Nunes de. Inventário Florestal: Piracicaba: ESALQ- USP, 2014. 43 slides, color.

Sobre Letícia de Alcântara

Letícia de Alcântara- Gestora Ambiental- Mestranda em Meio Ambiente e Recursos hídricos

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